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UM FINAL FELIZ

Olá! Meu nome é Grace Kelly, mas todo mundo me chama de Kelly. Sou uma gata siamesa de mais ou menos 2 anos e gostaria de contar rapidamente a história da minha vida para vocês.

Depois que nasci, fui separada de minha mãe e de meus irmãozinhos, não me pergunte por quê, pois eu também não sei... Passei a viver na rua, dormia onde as pessoas me permitiam dormir e comia o que encontrava, ou o que me davam para comer. Mesmo assim era feliz. Todos dizem que sou uma gatinha muito simpática... sempre gostei das pessoas. Fiquei amiga de todos daquele quarteirão - até dos cachorros, que faziam festa quando me viam.

Mas por meu jeito muito afetivo, certo dia acabei me aproximando de quem não devia... Como eu ia saber que nem todas as pessoas eram como os meus amigos ali do quarteirão? Então acabei levando uma paulada na cabeça, fiquei estendida ali na calçada, sangrando... Achei que fosse meu fim.

Mas o rapaz da casa em frente estava chegando de carro com a namorada e pararam para cumprimentar uma vizinha, que estava com o cachorro dela, o Duke. Ela perguntou se eles tinham ficado sabendo que eu morerra. Eles levaram um susto e disseram que não, perguntando o que tinha acontecido. A vizinha apontou para onde eu estava.

Eles correram até mim e perceberam que eu ainda respirava. Foram então até a outra vizinha, a Silvinha, perguntando onde ela costumava levar o Garrincha, o gato dela, quando ele estava doente.

Então os 3 me levaram para o hospital veterinário. Eu tive um tal de "traumatismo craniano" e fiquei muito tempo internada lá, sem saber se voltaria à vida. Quando voltei a entender as coisas, percebi que já estava numa salinha com outros animais em recuperação. Tentei me levantar mais caí. Eu não conseguia mais ficar de pé. Perdera todo o equilíbrio!!! O casal que me salvara sempre ia me visitar... Eles e Silvinha pagaram as despesas do hospital. A médica disse que não podia dizer se eu voltaria ao normal, e que em breve eu teria alta, pois já estava me alimentando sozinha...

Entrei em pânico! Pra onde eu iria naquelas condições? Não podia voltar para a rua. Eu nem conseguia andar direito! Poderia ser atropelada, não conseguia subir nos muros para fugir de quem quisesse me maltratar...

Quando chegou o dia de eu ir embora, estava muito triste. Pensei até que seria melhor se eu tivesse morrido no fim das contas. Então o casal de namorados veio me buscar. Mas não me soltaram de volta na rua como eu pensava. Estavam indo por um caminho diferente! Me levaram para o que seria meu lar dali por diante. Foi quando entendi onde estava: a moça me levou para a casa dela, conseguiu convencer os ppais e ficou comigo. Ela e a irmã dela me deram um bom banho e recebi tudo o que se pode esperar e mais ainda. Uma caminha quente, comida à vontade, cuidados para que eu ficasse boa da falta de equilíbrio... E carinho. Muito carinho!
Hoje estou totalmente recuperada, brinco, corro e até subo na janela do apartamento para ver o movimento lá fora! Ninguém acredita quando me vê. Mas é verdade. Há dois anos estou aqui com a Gisela, minha mamãe querida, e com o Cesar, namorado dela, meu papaizinho, que sempre vem me visitar.

Estou muito feliz. Todos aqui me querem muito bem, apesar de eu receber umas broncas quando arranho o sofá... Minha mãe fala para a mãe dela "a capacidade de aprendizado da Kelly ficou meio prejudicada com a pancada...", mas acho que ela só faz isso pra me defender das broncas, porque todos sabem muito bem como eu sou espertinha...

* a história de Kelly é 100% verídica. Se não fosse por atos covardes como o dos agressores de Kelly não seria necessário lutar pelos direitos dos animais, que pela ordem natural da vida, deveria viver em comunidade com os homens.

Kelly hoje mora com Gisela... infelizmente ela e Cesar não estão mais juntos, mas a doce Kelly está ainda forme e forte na casa da mamãe, Gigi... a melhor mãe do mundo!

Todos os contratempos de meu trabalho voluntário são compensados por um simples "Miau" da Kelly, que eu guardo em minha lembrança como se estivesse ainda todos os dias ao meu lado e que se dependesse de muitos seres-"des"humanos, nem estaria viva para nos "contar esta história".